CET: o que entra na conta do empréstimo além da taxa de juros

Guia completo do Custo Efetivo Total: o que a sigla reúne, por que duas propostas com a mesma taxa mensal podem custar valores diferentes, o que a instituição é obrigada a informar antes da assinatura e como conferir se algum item entrou no contrato sem o seu aceite.

O CET é o preço inteiro do empréstimo num percentual só: juros, IOF, tarifas administrativas, seguro quando contratado e os demais encargos previstos no contrato. A taxa de juros é apenas uma das parcelas dessa soma.

R$ 3.000 em 12 meses
R$ 366,12 por mês 12 prestações mensais e iguais
Total a pagar
R$ 4.393,44 sendo R$ 1.393,44 de juros

Exemplo ilustrativo. Valores estimados. Não é oferta de crédito.

Crédito pessoal não consignado — taxa média do Banco Central (série 20742), competência julho de 2026. Parcela e total calculados pelo sistema de amortização francês (Price), dados verificados em 08/09/2026.

Ver a parcela do seu valor Abre o simulador do funil com valor e prazo à sua escolha.

Publicidade

As 3 instituições com a menor taxa média em Crédito pessoal não consignado

A taxa de cada instituição vem do Banco Central. A seleção de quais instituições aparecem nesta página é editorial e segue os critérios abaixo, aplicados de forma uniforme e verificável.

Não temos vínculo com nenhuma das instituições citadas. Não somos parceiros, afiliados nem representantes delas, não recebemos nada por indicá-las e não participamos de nenhuma etapa de aprovação. A ordem desta lista é por taxa — nunca por pagamento.

Quem pode contratar:Não exige vínculo nem desconto em folha. É o crédito pessoal disponível ao público geral, e por isso o mais caro dos quatro.

Menor taxa da nossa seleçãoNicho

DMCard (DM SCFI)

1,32% ao mês

17,08% ao ano

Parcela
R$ 271,97
Total em 12x
R$ 3.263,64
Para
R$ 3.000

Exemplo ilustrativo. Valores estimados. Não é oferta de crédito.

DM SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A · CNPJ 91669747

Ver condições

2ª menor taxaNicho

PagBank (Bancoseguro S.A.)

1,63% ao mês

21,47% ao ano

Parcela
R$ 277,27
Total em 12x
R$ 3.327,24
Para
R$ 3.000

Exemplo ilustrativo. Valores estimados. Não é oferta de crédito.

BANCOSEGURO S.A. · CNPJ 10264663

Ver condições

3ª menor taxaPrivate

Banco J. Safra

1,68% ao mês

22,12% ao ano

Parcela
R$ 278,13
Total em 12x
R$ 3.337,56
Para
R$ 3.000

Exemplo ilustrativo. Valores estimados. Não é oferta de crédito.

BANCO J. SAFRA S.A. · CNPJ 03017677

Ver condições

As parcelas acima são ilustrativas: R$ 3.000,00 em 12 parcelas pela Tabela Price, usando a taxa média que o Banco Central apurou para cada instituição em Crédito pessoal não consignado, nas operações contratadas no período de 27/07/2026 a 31/07/2026. Essa taxa média já inclui os encargos fiscais e operacionais das operações — não é juros puros, não é CET contratual e não é oferta. A taxa que você receberá depende da sua análise de crédito.

De onde vêm estes números

Banco Central, sobre estas taxas: “Em uma mesma modalidade, as taxas de juros diferem entre clientes de uma mesma instituição financeira e variam de acordo com diversos fatores de risco envolvidos nas operações, tais como o valor e a qualidade das garantias apresentadas na contratação do crédito, o valor do pagamento dado como entrada da operação, o histórico e a situação cadastral de cada cliente, o prazo da operação, entre outros.”

  • É RETROSPECTIVA: mede operações já contratadas nos cinco dias úteis da janela, não ofertas disponíveis hoje.
  • NÃO é juros puros nem CET contratual: está no meio — juros efetivamente praticados mais encargos fiscais e operacionais.
  • É uma MÉDIA PONDERADA pelos valores contratados: ninguém recebe exatamente essa taxa.
  • NÃO é proposta, oferta nem pré-aprovação. Não somos correspondente bancário nem afiliado de nenhuma instituição.

Janela apurada: 27/07/2026 a 31/07/2026 (5 dias úteis). Média do sistema nesta modalidade: 6,42% ao mês (110,95% ao ano), séries SGS 25464 e 20742.

Campos editoriais (nossos, não do Banco Central): nomeExibicao, slug, official_url. editorial (nosso) — o BACEN não publica URL de instituição em nenhuma das APIs usadas Sites conferidos em 14/08/2026.

Dados de taxas de juros: Banco Central do Brasil, API de Taxas de Juros (Olinda/taxaJuros v2), licença ODbL. Dados cadastrais e de escala: IF.data/BCB, base 202603. Selic meta: série SGS 432. Médias do sistema: séries SGS 20742, 20746, 20744, 20745 (anuais) e 25464, 25468, 25466, 25467 (mensais).

A taxa é um componente; o CET é o preço

CET é a sigla de Custo Efetivo Total. Ele expressa, num percentual único, quanto o empréstimo custa de fato: não apenas a remuneração da instituição, mas todos os encargos que o contrato prevê.

A taxa de juros é uma parte dessa soma. Uma proposta pode anunciar uma taxa mensal atraente e ainda assim chegar a um custo total alto, porque a diferença está em outros itens — que existem no contrato e não aparecem no anúncio.

É por isso que o CET é o comparador. Duas propostas só ficam na mesma linha quando as duas são lidas pelo custo total, para o mesmo valor e o mesmo número de meses.

O que entra na conta

A composição não é secreta e cabe numa lista curta. O que costuma surpreender não é o item em si, e sim o tamanho que alguns deles alcançam quando somados ao longo do contrato.

Dois merecem atenção especial. O IOF é imposto federal incidente sobre operações de crédito: não é cobrança da instituição, mas entra na conta do que você paga. E o seguro prestamista, quando contratado, entra também — é o item que mais aparece sem que o contratante lembre de ter aceitado.

Tarifas administrativas, como a de cadastro, entram do mesmo jeito. Costumam ser cobradas uma única vez, mas incidem sobre a operação inteira, e por isso deslocam o custo total de forma bem perceptível em contratos de valor menor.

Publicidade
  • Juros do contrato.
  • IOF, imposto federal sobre operações de crédito.
  • Tarifas administrativas, como a tarifa de cadastro.
  • Seguro prestamista, quando contratado.
  • Demais encargos previstos em contrato.

Por que a prestação engana e o custo total não

A prestação é o número mais confortável de qualquer proposta e é o primeiro a ser mostrado. Ela responde a uma pergunta legítima — cabe no meu mês? — mas não responde à outra, que é quanto isso custa.

A prova é fácil de fazer de cabeça: qualquer prestação fica menor se o prazo aumentar. Como ela cai e o total sobe ao mesmo tempo, comparar duas propostas pela prestação pode escolher exatamente a mais cara das duas.

O custo efetivo total não tem esse problema porque é um percentual sobre a operação, não um valor mensal. É a razão de ele existir como informação obrigatória: sem um número comparável, o mercado inteiro competiria por quem exibe a menor prestação.

O que a instituição é obrigada a informar

A regra é objetiva: o CET precisa ser informado ao cliente antes da contratação, em percentual ao ano, junto do detalhamento dos itens que o compõem. Vale para banco, financeira e fintech de crédito.

Na prática, o pedido cabe numa frase e funciona igual no aplicativo e no balcão: "me envie por escrito o custo efetivo total desta operação e o detalhamento de todos os custos". Proposta que não sobrevive a essa frase não é proposta que valha comparar.

Guarde a simulação recebida antes de assinar. É ela que permite conferir, depois, se a parcela cobrada corresponde ao que foi apresentado.

Seguro prestamista não é obrigatório na maioria dos contratos, e condicionar o crédito a ele é venda casada, proibida pelo Código de Defesa do Consumidor. Se entrou sem o seu aceite, cabe cancelamento e devolução do que foi pago.

Seguro prestamista: útil, opcional e frequentemente já marcado

O seguro prestamista cobre situações como morte, invalidez permanente e, em alguns contratos, desemprego involuntário. Quando acionado, quita total ou parcialmente o saldo devedor. Tem função real e, para alguns perfis, faz sentido.

Na maioria dos contratos de empréstimo pessoal, porém, ele não é obrigatório. O problema não é o produto: é o consentimento. Pelo Código de Defesa do Consumidor, produto adicional precisa ser informado com clareza, ter o custo apresentado e ser aceito de forma expressa.

Condicionar a concessão do crédito à contratação do seguro é venda casada, prática proibida por lei. "Sem o seguro não sai" é a versão falada disso, e é a mais fácil de contestar justamente porque é objetiva.

Como identificar que ele entrou sem o seu aceite

A inclusão indevida raramente é anunciada. Ela aparece por sintoma, e os sintomas são poucos e reconhecíveis.

O mais direto é a diferença entre a simulação e a cobrança. Se a parcela veio maior do que a tela mostrava, alguma coisa entrou entre as duas — e essa coisa está discriminada em algum lugar do contrato ou do extrato.

O segundo é a distância entre a taxa informada e o custo total do contrato. Uma diferença existe sempre, porque o CET soma mais itens. Uma diferença grande, sem tarifa declarada, costuma ter um seguro dentro.

  • Parcela maior do que a apresentada na simulação inicial.
  • Linha separada no extrato com "seguro prestamista" ou "proteção financeira".
  • Custo total bem acima do que a taxa de juros informada sugeriria.
  • Cláusula sobre seguro diluída no meio de um contrato longo.
  • Caixa de aceite já marcada na tela do aplicativo.

A ordem dos passos quando a cobrança aparece

Primeiro, reúna o material: contrato assinado, simulação recebida antes da assinatura e extratos com a cobrança. Sem esse conjunto, a conversa vira versão contra versão.

Depois, formalize. Questione por escrito quando o seguro foi contratado, onde consta o seu aceite e qual é o valor total cobrado; peça o cancelamento e a devolução dos valores pagos indevidamente. Anote o número de protocolo de cada contato — é ele que sustenta o resto.

Se a instituição não resolver, o caminho seguinte é a ouvidoria, que é gratuita e obrigatória, e depois os canais oficiais: consumidor.gov.br, Banco Central e Procon. Reclamação registrada muda a natureza da conversa, porque passa a existir fora do atendimento.

As perguntas que fazem o custo total aparecer

Três perguntas resolvem quase todo caso, e todas têm resposta objetiva. Qual é o custo efetivo total desta operação, em percentual ao ano? Quais itens entram nele, discriminados um a um? Existe algum seguro incluído e, se existe, onde está registrado o meu aceite?

Nenhuma delas exige conhecimento técnico e nenhuma pode ser respondida com "a gente vê depois". Resposta vaga a pergunta objetiva é, por si só, informação sobre a proposta.

  • Qual é o custo efetivo total desta operação, em percentual ao ano?
  • Quais custos entram nesse número, item por item?
  • Há seguro incluído? Onde está registrado o meu aceite?
  • Existe tarifa de cadastro cobrada nesta operação?
  • Qual é o valor total a pagar ao fim do contrato?

O próximo passo

Se você se encaixa em uma destas, existe porta mais barata

As linhas abaixo custam menos porque têm garantia ou desconto em folha — e por isso exigem uma condição que nem todo mundo tem. Cada uma abre o guia completo do assunto, neste site.

  • consignado do INSS

    Para quem recebe aposentadoria ou pensão do INSS: a parcela é descontada do benefício antes de ele cair na conta, e é essa garantia que derruba a taxa.

    Média do sistema nesta linha, apurada pelo Banco Central: 1,82% ao mês. É referência de comparação, não oferta — a taxa de cada instituição varia, e a sua depende da análise de crédito.

  • consignado CLT

    Para quem tem carteira assinada: o desconto sai na folha de pagamento, dentro da margem consignável, e depende de convênio entre a empresa e a instituição.

    Média do sistema nesta linha, apurada pelo Banco Central: 3,66% ao mês. É referência de comparação, não oferta — a taxa de cada instituição varia, e a sua depende da análise de crédito.

  • empréstimo com garantia de imóvel

    Para quem tem imóvel quitado ou quase quitado: o bem entra como garantia, o prazo é longo e o risco de perder o imóvel passa a existir — é a porta mais barata e a de consequência mais grave.