Consignado, composição de dívidas ou empréstimo pessoal: qual sai mais barato — e quem consegue cada um

As três modalidades abaixo são séries que o Banco Central publica separadamente. A diferença entre elas não é detalhe de contrato: no mesmo empréstimo de R$ 8.000 em 24 meses, ela chega a R$ 6.935,28 no total pago.

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A mesma dívida nas três portas

Todas as tabelas abaixo usam o mesmo valor — R$ 8.000 — e mudam apenas a modalidade e o prazo. Comparar modalidades em prazos diferentes seria trapaça: o prazo faria o trabalho que a taxa deveria fazer, e a linha mais barata da tabela poderia ser a mais cara na vida real.

Empréstimo de R$ 8.000 em 12 meses. Cálculo próprio pelo sistema de amortização francês (Price) sobre as taxas médias do Banco Central — séries SGS do Sistema Gerenciador de Séries Temporais, competência junho de 2026.
Modalidade Parcela mensal Total a pagar
Crédito pessoal não consignado série SGS 20742 R$ 1.011,51 R$ 12.138,12
Crédito pessoal não consignado para composição de dívidas série SGS 20743 R$ 798,91 R$ 9.586,92
Crédito consignado (servidor público) outro produto série SGS 20745 R$ 747,22 R$ 8.966,64

Valor emprestado em todas as linhas acima: R$ 8.000.

Empréstimo de R$ 8.000 em 24 meses. Cálculo próprio pelo sistema de amortização francês (Price) sobre as taxas médias do Banco Central — séries SGS do Sistema Gerenciador de Séries Temporais, competência junho de 2026.
Modalidade Parcela mensal Total a pagar
Crédito pessoal não consignado série SGS 20742 R$ 702,42 R$ 16.858,08
Crédito pessoal não consignado para composição de dívidas série SGS 20743 R$ 467,31 R$ 11.215,44
Crédito consignado (servidor público) outro produto série SGS 20745 R$ 413,45 R$ 9.922,80

Valor emprestado em todas as linhas acima: R$ 8.000.

Empréstimo de R$ 8.000 em 36 meses. Cálculo próprio pelo sistema de amortização francês (Price) sobre as taxas médias do Banco Central — séries SGS do Sistema Gerenciador de Séries Temporais, competência junho de 2026.
Modalidade Parcela mensal Total a pagar
Crédito pessoal não consignado série SGS 20742 R$ 619,16 R$ 22.289,76
Crédito pessoal não consignado para composição de dívidas série SGS 20743 R$ 360,98 R$ 12.995,28
Crédito consignado (servidor público) outro produto série SGS 20745 R$ 303,87 R$ 10.939,32

Valor emprestado em todas as linhas acima: R$ 8.000.

A linha marcada como outro produto aparece para comparação honesta, não como oferta desta página: o consignado do setor público custa bem menos, mas exige vínculo com o serviço público e desconto direto em folha. Se você tem esse vínculo, vale pesquisar essa porta antes de qualquer outra. Se não tem, a régua que importa para você é a primeira linha.

A diferença, em reais, no mesmo contrato

Percentual é abstrato; o que decide é quanto sai do bolso. Em R$ 8.000 por 24 meses, trocar de porta significa:

  • Crédito pessoal não consignado para composição de dívidas — total de R$ 11.215,44 contra R$ 16.858,08 do empréstimo pessoal sem garantia: R$ 5.642,64 a menos no total pago.
  • Crédito consignado (servidor público) — total de R$ 9.922,80 contra R$ 16.858,08 do empréstimo pessoal sem garantia: R$ 6.935,28 a menos no total pago. Exige vínculo — veja abaixo quem consegue.

Quem consegue cada porta

A diferença de preço acima não é promoção: cada modalidade custa o que custa por causa do risco que a instituição assume. Quanto mais garantido o pagamento, mais barato o crédito — e mais exigente a porta de entrada.

  • Consignado (setor público). A parcela é descontada diretamente da folha de pagamento, antes de o dinheiro chegar à sua conta. Por isso é o mais barato da tabela — e por isso só abre para quem tem o vínculo correspondente. Existe um limite legal de quanto da renda pode ser comprometido em desconto automático; confirme o percentual vigente com a instituição ou com o seu órgão pagador, porque essa regra já mudou mais de uma vez.
  • Composição de dívidas. É um empréstimo pessoal contratado com finalidade declarada: quitar dívidas que já existem. Costuma custar menos que o crédito pessoal comum porque a instituição sabe para onde o dinheiro vai — em muitos casos ela liquida os contratos antigos diretamente, em vez de depositar na sua conta. Se o seu objetivo é sair do rotativo do cartão ou do cheque especial, pergunte por esta modalidade pelo nome: ela nem sempre é oferecida por padrão.
  • Empréstimo pessoal sem garantia. Não exige vínculo, não exige bem em garantia e não desconta em folha. É a porta mais fácil de abrir e, exatamente por isso, a mais cara: a instituição assume todo o risco.
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Não existe teto de juros — existe referência

No Brasil não há teto de juros para instituição financeira: a Súmula 596 do Supremo Tribunal Federal afastou a limitação da Lei de Usura para bancos e financeiras. Não adianta procurar um "limite legal" de taxa, porque ele não existe.

O que existe é referência pública, e é ela que dá poder de negociação: o Banco Central divulga mensalmente a taxa média praticada em cada modalidade. Se a proposta que você recebeu estiver muito acima da média da modalidade certa, você tem argumento concreto. Comparar a proposta de um crédito pessoal com a média do consignado não é argumento — são produtos diferentes.

Onde cada taxa está na janela dos últimos meses

O Banco Central publica a série mês a mês, então dá para saber se o número de hoje é alto ou baixo para aquela própria modalidade. É um dado que quase nunca aparece, e ele muda a leitura:

Taxa anual da competência de junho de 2026 comparada ao mínimo e ao máximo que a mesma série registrou na janela publicada no catálogo. Fonte: Banco Central do Brasil, séries SGS.
Modalidade Hoje Mínimo da janela Máximo da janela
Crédito pessoal não consignado série SGS 20742 · janela de 12 meses 127,30% 101,10% 127,30%
Crédito pessoal não consignado para composição de dívidas série SGS 20743 · janela de 12 meses 40,90% 40,90% 50,89%
Crédito consignado (servidor público) série SGS 20745 · janela de 12 meses 23,80% 23,56% 24,84%

Mínimo e máximo aqui são temporais, não pessoais. São o menor e o maior valor que a própria série registrou dentro da janela publicada — não são "quanto você paga com nome limpo" contra "quanto você paga com restrição". Essa segunda leitura seria falsa: o Banco Central publica a média do mercado por modalidade, não a dispersão por perfil de quem toma o crédito. Nenhum dado desta página diz quanto você pagaria — só a instituição, depois da análise, pode dizer isso.

Lendo a tabela: o empréstimo pessoal sem garantia está hoje no topo da própria janela, enquanto a composição de dívidas está no piso da dela. Ou seja, o produto mais caro está num momento caro da série e o mais acessível dos dois está num momento barato — o que aumenta o valor de checar se a sua dívida se enquadra em composição antes de contratar o crédito comum.

Contratou caro? Existe portabilidade

A decisão não é definitiva. Depois de contratado, você pode transferir a dívida para outra instituição que ofereça condição melhor. O procedimento é regulamentado pelo Banco Central, a instituição de origem não pode criar obstáculo e não pode cobrar pela transferência. Na prática, o caminho é pedir à instituição nova que faça a portabilidade — é ela quem conduz o processo com a antiga.

Antes de portar, compare pelo CET, não pela taxa de juros: uma portabilidade que reduz a taxa mas embute tarifa nova pode não compensar. E confira se o prazo continua o mesmo — esticar o prazo na portabilidade derruba a parcela e pode aumentar o total pago, o que anula o motivo de ter portado.