Consignado, composição de dívidas ou empréstimo pessoal: qual sai mais barato — e quem consegue cada um

As três modalidades abaixo são séries que o Banco Central publica separadamente. A diferença entre elas não é detalhe de contrato: no mesmo empréstimo de R$ 8.000 em 24 meses, ela chega a R$ 5.963,04 no total pago.

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A mesma dívida nas três portas

Todas as tabelas abaixo usam o mesmo valor — R$ 8.000 — e mudam apenas a modalidade e o prazo. Comparar modalidades em prazos diferentes seria trapaça: o prazo faria o trabalho que a taxa deveria fazer, e a linha mais barata da tabela poderia ser a mais cara na vida real.

Empréstimo de R$ 8.000 em 12 meses. Cálculo próprio pelo sistema de amortização francês (Price) sobre as taxas médias do Banco Central — séries SGS do Sistema Gerenciador de Séries Temporais, competência julho de 2026.
Modalidade Parcela mensal Total a pagar
Crédito pessoal não consignado série SGS 20742 R$ 976,31 R$ 11.715,72
Crédito pessoal não consignado para composição de dívidas série SGS 20743 R$ 800,34 R$ 9.604,08
Crédito consignado INSS (aposentados e pensionistas) outro produto série SGS 20746 R$ 748,14 R$ 8.977,68
Crédito consignado privado (CLT) outro produto série SGS 20744 R$ 835,69 R$ 10.028,28
Crédito consignado (servidor público) outro produto série SGS 20745 R$ 747,68 R$ 8.972,16

Valor emprestado em todas as linhas acima: R$ 8.000.

Empréstimo de R$ 8.000 em 24 meses. Cálculo próprio pelo sistema de amortização francês (Price) sobre as taxas médias do Banco Central — séries SGS do Sistema Gerenciador de Séries Temporais, competência julho de 2026.
Modalidade Parcela mensal Total a pagar
Crédito pessoal não consignado série SGS 20742 R$ 662,38 R$ 15.897,12
Crédito pessoal não consignado para composição de dívidas série SGS 20743 R$ 468,82 R$ 11.251,68
Crédito consignado INSS (aposentados e pensionistas) outro produto série SGS 20746 R$ 414,39 R$ 9.945,36
Crédito consignado privado (CLT) outro produto série SGS 20744 R$ 506,59 R$ 12.158,16
Crédito consignado (servidor público) outro produto série SGS 20745 R$ 413,92 R$ 9.934,08

Valor emprestado em todas as linhas acima: R$ 8.000.

Empréstimo de R$ 8.000 em 36 meses. Cálculo próprio pelo sistema de amortização francês (Price) sobre as taxas médias do Banco Central — séries SGS do Sistema Gerenciador de Séries Temporais, competência julho de 2026.
Modalidade Parcela mensal Total a pagar
Crédito pessoal não consignado série SGS 20742 R$ 574,79 R$ 20.692,44
Crédito pessoal não consignado para composição de dívidas série SGS 20743 R$ 362,61 R$ 13.053,96
Crédito consignado INSS (aposentados e pensionistas) outro produto série SGS 20746 R$ 304,86 R$ 10.974,96
Crédito consignado privado (CLT) outro produto série SGS 20744 R$ 403,39 R$ 14.522,04
Crédito consignado (servidor público) outro produto série SGS 20745 R$ 304,37 R$ 10.957,32

Valor emprestado em todas as linhas acima: R$ 8.000.

A linha marcada como outro produto aparece para comparação honesta, não como oferta desta página: o consignado do setor público custa bem menos, mas exige vínculo com o serviço público e desconto direto em folha. Se você tem esse vínculo, vale pesquisar essa porta antes de qualquer outra. Se não tem, a régua que importa para você é a primeira linha.

A diferença, em reais, no mesmo contrato

Percentual é abstrato; o que decide é quanto sai do bolso. Em R$ 8.000 por 24 meses, trocar de porta significa:

  • Crédito pessoal não consignado para composição de dívidas — total de R$ 11.251,68 contra R$ 15.897,12 do empréstimo pessoal sem garantia: R$ 4.645,44 a menos no total pago.
  • Crédito consignado INSS (aposentados e pensionistas) — total de R$ 9.945,36 contra R$ 15.897,12 do empréstimo pessoal sem garantia: R$ 5.951,76 a menos no total pago. Exige vínculo — veja abaixo quem consegue.
  • Crédito consignado privado (CLT) — total de R$ 12.158,16 contra R$ 15.897,12 do empréstimo pessoal sem garantia: R$ 3.738,96 a menos no total pago. Exige vínculo — veja abaixo quem consegue.
  • Crédito consignado (servidor público) — total de R$ 9.934,08 contra R$ 15.897,12 do empréstimo pessoal sem garantia: R$ 5.963,04 a menos no total pago. Exige vínculo — veja abaixo quem consegue.

Quem consegue cada porta

A diferença de preço acima não é promoção: cada modalidade custa o que custa por causa do risco que a instituição assume. Quanto mais garantido o pagamento, mais barato o crédito — e mais exigente a porta de entrada.

  • Consignado (setor público). A parcela é descontada diretamente da folha de pagamento, antes de o dinheiro chegar à sua conta. Por isso é o mais barato da tabela — e por isso só abre para quem tem o vínculo correspondente. Existe um limite legal de quanto da renda pode ser comprometido em desconto automático; confirme o percentual vigente com a instituição ou com o seu órgão pagador, porque essa regra já mudou mais de uma vez.
  • Composição de dívidas. É um empréstimo pessoal contratado com finalidade declarada: quitar dívidas que já existem. Costuma custar menos que o crédito pessoal comum porque a instituição sabe para onde o dinheiro vai — em muitos casos ela liquida os contratos antigos diretamente, em vez de depositar na sua conta. Se o seu objetivo é sair do rotativo do cartão ou do cheque especial, pergunte por esta modalidade pelo nome: ela nem sempre é oferecida por padrão.
  • Empréstimo pessoal sem garantia. Não exige vínculo, não exige bem em garantia e não desconta em folha. É a porta mais fácil de abrir e, exatamente por isso, a mais cara: a instituição assume todo o risco.
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Não existe teto de juros — existe referência

No Brasil não há teto de juros para instituição financeira: a Súmula 596 do Supremo Tribunal Federal afastou a limitação da Lei de Usura para bancos e financeiras. Não adianta procurar um "limite legal" de taxa, porque ele não existe.

O que existe é referência pública, e é ela que dá poder de negociação: o Banco Central divulga mensalmente a taxa média praticada em cada modalidade. Se a proposta que você recebeu estiver muito acima da média da modalidade certa, você tem argumento concreto. Comparar a proposta de um crédito pessoal com a média do consignado não é argumento — são produtos diferentes.

Onde cada taxa está na janela dos últimos meses

O Banco Central publica a série mês a mês, então dá para saber se o número de hoje é alto ou baixo para aquela própria modalidade. É um dado que quase nunca aparece, e ele muda a leitura:

Taxa anual da competência de julho de 2026 comparada ao mínimo e ao máximo que a mesma série registrou na janela publicada no catálogo. Fonte: Banco Central do Brasil, séries SGS.
Modalidade Hoje Mínimo da janela Máximo da janela
Crédito pessoal não consignado série SGS 20742 · janela de 12 meses 110,95% 101,10% 127,12%
Crédito pessoal não consignado para composição de dívidas série SGS 20743 · janela de 12 meses 41,37% 40,75% 50,14%
Crédito consignado INSS (aposentados e pensionistas) série SGS 20746 · janela de 12 meses 24,12% 23,83% 24,31%
Crédito consignado privado (CLT) série SGS 20744 · janela de 12 meses 53,94% 53,88% 59,41%
Crédito consignado (servidor público) série SGS 20745 · janela de 12 meses 23,99% 23,56% 24,76%

Mínimo e máximo aqui são temporais, não pessoais. São o menor e o maior valor que a própria série registrou dentro da janela publicada — não são "quanto você paga com nome limpo" contra "quanto você paga com restrição". Essa segunda leitura seria falsa: o Banco Central publica a média do mercado por modalidade, não a dispersão por perfil de quem toma o crédito. Nenhum dado desta página diz quanto você pagaria — só a instituição, depois da análise, pode dizer isso.

Lendo a tabela: o empréstimo pessoal sem garantia está hoje no topo da própria janela, enquanto a composição de dívidas está no piso da dela. Ou seja, o produto mais caro está num momento caro da série e o mais acessível dos dois está num momento barato — o que aumenta o valor de checar se a sua dívida se enquadra em composição antes de contratar o crédito comum.

Contratou caro? Existe portabilidade

A decisão não é definitiva. Depois de contratado, você pode transferir a dívida para outra instituição que ofereça condição melhor. O procedimento é regulamentado pelo Banco Central, a instituição de origem não pode criar obstáculo e não pode cobrar pela transferência. Na prática, o caminho é pedir à instituição nova que faça a portabilidade — é ela quem conduz o processo com a antiga.

Antes de portar, compare pelo CET, não pela taxa de juros: uma portabilidade que reduz a taxa mas embute tarifa nova pode não compensar. E confira se o prazo continua o mesmo — esticar o prazo na portabilidade derruba a parcela e pode aumentar o total pago, o que anula o motivo de ter portado.